Cadê os ‘coxinhas’ do Banco do Brasil?


Por Altamiro Borges

Participei de alguns encontros sindicais dos bancários neste ano. Aproveitei para perguntar como os trabalhadores da base estavam reagindo à cruzada golpista pelo impeachment de Dilma. No geral, segundo os relatos, a categoria estava apática. Tinha duras críticas ao governo petista, mas também desconfiava dos propósitos dos grupos que rosnavam por sua queda. Para minha surpresa, porém, a sondagem indicou que um dos maiores focos de apoio ao golpe se encontrava entre os funcionários do Banco do Brasil. Como será que os “coxinhas do BB”, como eram ironizados, vão se comportar agora diante das notícias de que o covil golpista pretende desmontar esta importante instituição financeira?

Na entrevista que concedeu à Globonews nesta quinta-feira (13), o Judas Michel Temer confirmou seus intentos malignos. De forma arrogante e desrespeitosa, ele deixou implícito que planeja reduzir o papel estratégico do banco, diminuindo seu tamanho para, ao que tudo indica, justificar uma futura proposta de privatização. Questionado pela ex-urubóloga Miriam Leitão, hoje convertida em porta-voz otimista do governo ilegítimo, o usurpador respondeu: “O Banco do Brasil está pensando em cortar uma porção de funções, de cargos que lá existem, que são absolutamente desnecessários”. Na mesma entrevista, ele defendeu a PEC da Morte – do corte dos gastos nas áreas sociais – e a retomada das privatizações.

A declaração gratuita do Judas não foi um raio em céu azul. Nos últimos dias, cresceram os boatos de que o BB prepara um agressivo plano de demissões voluntárias – o famoso PDV. A Folha desta sexta-feira (14) informa que a meta é dispensar cerca de 10 mil bancários – 9% do quadro funcional. Há quem fale em até 18 mil demissões. O jornal chapa-branca até tenta justificar o facão. “Com mais de 109 mil empregados e um grupo de quase 5.000 estagiários, o BB tem um quadro de funcionários ‘inchado’ em relação aos seus concorrentes da iniciativa privada – Itaú, Bradesco e Santander”. Para “enxugar” este quadro, a nova direção do banco estaria tentando convencer os bancários de que “não se trata de demissão, mas de incentivo à aposentadoria”.

A diminuição do quadro funcional já vinha ocorrendo na “gestão empresarial” do Banco do Brasil nomeada pela presidenta Dilma – o que explica o inocente apoio ao golpe de alguns funcionários, principalmente dos cargos de chefia. Mas o objetivo agora é acelerar este processo, inclusive com métodos terroristas de assédio moral. Ainda segundo a Folha privatista, “o BB precisa aumentar a rentabilidade e, para isso, diminuir as despesas com pessoal é visto como essencial”. A receita para isto inclui demissões e arrocho, já que “o custo com a folha de pagamentos segue alto. No segundo trimestre de 2015, foram gastos R$ 4,9 bilhões com pessoal. No mesmo período deste ano foram R$ 5 bilhões”.

Os "coxinhas" e a resistência sindical

Diante dos riscos iminentes, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) já se encontra em estado de alerta. Em matéria postada nesta sexta-feira (14), a entidade reagiu à entrevista na Globonews. “O ataque de Michel Temer demonstra desconhecimento de que o papel do BB se tornou mais relevante quando de fato seus funcionários foram mais valorizados, com o fim da política de reajustes zero e a recuperação de direitos. Cresceu o banco e cresceu o número de funcionários. O que vemos hoje nas milhares de agências do BB é justamente a necessidade de mais pessoas para atender melhor os clientes que geram lucros bilionários ao banco e ao governo. A fala de Temer reforça ainda mais a postura de ataque do atual governo aos trabalhadores”, reagiu Wagner Nascimento, coordenador da Comissão dos Funcionários do BB.

Ainda de acordo com a entidade, o Banco do Brasil não confirmou a intenção de estimular as demissões voluntárias, “apenas informou que extinguiu a diretoria de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas (Diref) e a diretoria de Crédito Imobiliário (Dimob). As medidas são decorrentes da nova gestão do banco, comandada por Rogério Caffarelli, que tem foco puramente comercial, em melhorar os resultados do banco. Para Wagner Nascimento, o banco precisa responder ao questionamento das entidades e também se pronunciar oficialmente sobre os planos de redução de quadros. ‘Não é certo os funcionários saberem de demissões, corte de funções e reestruturações pela imprensa. Isto gera uma onda de incertezas e boatos que são rapidamente multiplicados e que de fato prejudicam as condições de trabalho”.

Wagner Nascimento também alerta que o enxugamento do número de funcionários é prejudicial para a instituição financeira e a não reposição de vagas de aposentados piora as condições de trabalho de quem fica. “Não repor as vagas de aposentados sobrecarrega quem fica. O banco precisa ser oxigenado. Somos contra a esse enxugamento e contrários a qualquer PDV. Um plano de incentivo à aposentadoria precisa ser analisado. Muitos esperam esse incentivo para requerer o benefício”. Ele também criticou a extinção da Diretoria de Relações com Funcionários, uma medida autoritária que reduz a interlocução do banco com os trabalhadores.

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