Os gastos de Temer com publicidade


Por Miguel do Rosário, no blogCafezinho:

Vou fazer um compilado aqui do que já publicamos sobre o aumento da publicidade federal nesses primeiros meses de governo Temer. E fazer alguns apontamentos que ainda não fiz antes.

Eu publiquei uma série de 3 posts. Os dois primeiros foram muito divulgados. O terceiro, circulou pouco, mas por culpa minha, que fiz um texto muito prolixo, com laudas e laudas de opinião.

Vou dar o link dos dois primeiros.


Post 1: Temer inicia trem da alegria: repasses federais a Folha crescem 78%

Post 2: Trem da alegria 2: verbas federais para revista Época crescem 900%

O terceiro da série ficou também muito bom, em termos de dados, mas, como eu disse, perdeu um pouco a força porque eu acrescentei carradas de crítica à política de comunicação dos governos petistas. Se quiser ler, clique aqui.

Entretanto, vou republicar abaixo os gráficos que publiquei no post 3 da série. São dois gráfico muito interessantes e que me custaram alguns dias de trabalho duro.

É preciso destacar, na primeira tabela, a explosão dos gastos com mídia exterior, que são aquelas tvs em ônibus, etc, além de outdoors.

É sintomático que o governo Temer tenha aumentado gastos com esse tipo de mídia exatamente às vésperas das eleições municipais, visto que é a única mídia que dá para você fazer um recorte municipal.

Detalhe: a lei eleitoral foi alterada ao final de 2015, para liberar totalmente o uso da publicidade federal nas eleições municipais, sem nenhum tipo de restrição. Até parece que eles tinham tudo planejado.

Na segunda tabela, eu separei os gastos por veículo de mídia, mas divididos pelas categorias: jornal, internet, rádio, tv, mídia exterior.

Observe que os jornais praticamente não receberam publicidade federal em 2015.

Em 2016, as despesas federais em jornais impressos explodiram. Em apenas 4 meses, cresceram 934%.

O percentual de publicidade federal destinado a jornais impressos cresceu de 1% para 7% de maio a agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015.

Enquanto isso, a participação da internet, que era de 17% em 2015, caiu para 13% em 2016.

Mas a análise do mês de agosto (ver primeira tabela), quando o governo Temer parece já ter uma nova estratégia para a comunicação na internet, nos permite entender que a intenção do governo não é deixar de investir na rede, mas sim investir de maneira a não deixar que haja concorrentes aos grandes meios de comunicação. É uma política abertamente antipluralidade.

Entre maio e agosto, Temer aumentou as verbas para a internet, mas tudo fortemente concentrado em Facebook e Twitter, como se vê na segunda tabela. Apenas o Facebook absorveu 36% das verbas federais destinadas à internet entre maio e agosto, além de aumentar 93% sobre o ano anterior. Os recursos federal investidos no Twitter cresceram 320% entre maio e agosto deste ano, na comparação com 2015.

A segunda tabela, por veículo e setor, mostra ainda um aumento brutal para tvs ligadas a instituições religiosas, o que me pareceu também uma maneira astuta e desonesta de esvaziar possíveis críticas desses setores.

A concentração dos recursos públicos aplicados em TV em mãos da Globo continua indecente, mas isso não mudou em relação aos governos do PT, que até o fim financiaram os seus algozes. Mesmo assim, com crise e tudo, os recursos para TV Globo cresceram 23% este ano.

O que impressiona mais, porém, é o aumento de quase 500% para os recursos destinados a Fundação Nossa Senhora Aparecida, e de 337% para Fundação João Paulo II. Isso para os católicos. Os evangélicos, via Record, tiveram assegurados R$ 2,94 milhões apenas nesses quatro meses, sem nenhuma queda sobre o ano anterior, apesar do aprofundamento do déficit fiscal.

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